Análise – Videojogo – Need For Speed Payback

Ora bem, a Ghost Games e a EA (pois claro, a GG nunca poderia tomar esta decisão sem o consentimento da editora,) decidiram que se iria pôr termo à corrente de jogos Need for Speed a saírem com uma base anual , isto com o intuito de elevar a qualidade da experiência entregue e faz todo o sentido, uma franquia a lançar títulos anualmente por regra nunca vai conseguir atingir a sua qualidade total, o resultado disto foi que após o Rivals (2013), só em 2015 se viu algo que foi considerado em parte talvez um reboot às bases da franquia, tendo até só o nome Need for Speed, e 2 anos depois vê-se então Payback a chegar como um resultado desta nova regra.

O Need for Speed de 2015 tinha só a meu ver 1 falha, o requerer uma ligação constante online, o resto seria praticamente tudo superficial comparado com isto, apesar de a falta de perseguições da policia mais dramáticas e persistentes como em jogos passados se ter feito sentir, também de notar que se o objetivo era passar alguma realidade bem…digamos que na vida real não se está a ver uma força de choque, carros blindados, patrulhas especiais do FBI e afins a virem atrás de 1 corredor. No fim não deixou de ser um título fantástico e que levava a franquia de volta ao espirito real do que a série Underground trouxe com o BOOM do street racing e personalização de veículos pelo mundo após a sua dispersão em massa ao nível de “moda”, com o filme Velocidade Furiosa (2001), ainda hoje o U2 é o melhor sem dúvida dentro da linha de street racing da franquia, aos anos que os fãs pediam um U3 e basicamente este foi então uma resposta a isso em parte, apesar de esperar que a série Hot Pursuit não venha a ser ignorada, pois não podemos ignorar as bases e origens da franquia em ser corridas de rua com carros de luxo por locais mais fantásticos digamos assim, como circuitos de estrada que atravessam locais montanhosos, zonas de floresta e afins, ou seja todo um settings fora de localidades e até rural de certa maneira em vários pontos e não só, mas continuando o meu ponto, como disse, espero que a série Hot Pursuit se mantenha. A realidade é que um bom título de Street Racing e com uma boa dose de liberdade de personalização na franquia fazia falta, apesar de o Most Wanted de 2005 ter sido algo notável, já não tinha a mesma dimensão que se viu no U2, e por consequente o Carbon já não teria a mesma qualidade que se tinha visto no MW, e nem de perto nem de longe no U2.

Avançando para o Payback e isto antes foi para dar um pouco de contexto final, o jogo decide trazer de volta uma história mais elaborada e desenvolvida, que vá além de sermos um corredor de rua a querer fazer nome, ou a provar alguma coisa, e para isto meteram-nos num setting em algo que se irá reconhecer como o estado do Nevada numa cidade fictícia que se irá dizer ser Las Vegas, Fortune City é isto mesmo, umas Las Vegas fictícia, criada para servir de base a este novo título, jogando o jogo podemos dizer que o calibre visual está cá, apesar de se sentir alguns pequenos problemas como por vezes demora no carregamento das texturas do jogo quando se inicia o mesmo, ou alguns glitches menores, visualmente está deslumbrante, e desta vez a direção tomada para cutscenes e apresentação das personagens e tudo o mais foi realmente usar modelos 3D, ao contrário de misturar filmagens reais dentro do jogo como foi feito no passado, pondo isto de parte, toda a zona até vasta por onde o jogo decorre e nos podemos movimentar, está bem misturada entre si, passando de zonas mais desérticas, para locais urbanos, alguns meio industriais e mesmo mais montanhosos, e por ai fora, e estão de uma maneira interessante criados e elaborados.

Partindo para a história aqui foi incorporado algo ao estilo de GTAV pelo uso de múltiplos personagens, temos uma história de traição e vingança que nos mete no papel de 3 personagens, que perfazem uma equipa de 4 sendo que este último é um mecânico que nunca controlamos, no meio disto e resumindo sem querer dar algo substancial, vamos estar no papel de Tyler um corredor de rua, Mac um corredor de rua em ambientes off road e Jess especialista em manobras invasivas, golpes e escapatórias à policia, e o nosso objetivo será uma demanda de retribuição, na procura de vingança contra quem nos enganou e traiu no momento em que quase dávamos o maior golpe da nossa vida, que nos iria meter num desafogo prolongado, sem querer dar pormenores, basicamente vamos começar uma demanda de “destruição” por assim dizer contra a organização conhecida como The House, que pretende controlar toda a atividade de casinos, corridas de ruas, apostas e afins por toda a região do jogo em si e ainda quem sabe expandir-se para outros locais nos EUA, onde se situa o jogo. Tudo isto até se desenvolve criando interesse no jogador, apresenta-se com um nível de qualidade relativamente bom o que foi uma surpresa até, mas lembram-se de eu dizer que não queria dar nada de substancial sobre isto, bem, a realidade é que nem podia se quisesse, isto porque me recusei a continuar a fazer caminho pelo jogo e não o terminei nem fui até nenhuma parte que se pudesse considerar meio do mesmo.

Agora isto porquê, bem acho que chegou a altura de entrar na jogabilidade e mecânicas usadas neste jogo, em especial de progressão, toda a gente se lembra do fiasco do Battlefront II com o sistema de progressão meio demorado certo?

Bem isso foi uma dramatização em boa parte por muita gente que nem sabe o que é esforçar-se num jogo a fundo, mas a realidade é que no meio da dramatização realmente havia ponta de verdade, e o sistema de progressão e unlocks do jogo estava aldrabado digamos assim para girar em volta de loot crates, e agora vocês perguntam o que isso tem a haver com o Payback?

Bem antes de entrar em pormenores, vamos só referir algumas falhas que notei na jogabilidade que foi o que me incomodou mais aparte do que vou falar a seguir, basicamente foi o controlo dos veículos de estrada e de off road, nos de estrada nunca se sente uma aderência significativa por mais upgrades que se façam, parece que temos sempre de puxar o travão de mão nas curvas que em veículos que não sejam com o intuito de off road/drift, acaba a dar-nos um atraso em demasia que nos pode custar a vitória, em especial se jogarem em hard como eu que aumenta a dificuldade da AI, em contraste a uma direção mais presa digamos assim dos carros de estrada, os de fora de estrada (off road/drift), acabam a ter por vezes uma direção demasiado solta, em especial em percursos de terra ou gravilha e afins, é impressionante como é possível um carro aqui perder tanta aderência e virar demasiado sozinho quase para um dos lados em percursos de terra ou gravilha, é que nem nos simuladores como WRC7 se sente isso, nem em jogos de arcada off road como o Gravel isso acontece, mas no Payback ocorre, e acaba a estragar em boa parte a diversão destas corridas, que serão em parte obrigatórias em linha de plot claro.

Agora indo portanto ao cerne da questão, e lembram-se de eu ter falado em dificuldade? Bem o jogo tem dificuldade normal e hard, não vi se tinha easy, mas isto afeta basicamente a dificuldade da AI dos nossos rivais e afins, e não os ganhos em corrida pelo que notei nem os desbloqueios…o que foi isto, desbloqueios?

Pois, é aqui que entro então no que afeta este jogo realmente, à semelhança de BFII o Payback sofre, mas o problema acaba por ser que, enquanto o anterior teve a Disney para intervir a seu favor, que é quem controla as licenças Star Wars, aqui neste a EA pode fazer e exigir à Ghost Games o que bem lhe apetecer, e o resultado disso foi que passamos portante da questão de evolução de carros por via normal de adquirir peças e afins com créditos ganhos, e a desbloquear novos patamares dentro das categorias das mesmas como no Motor, Travões, Turbo, Pneus (com diferentes categorias de finalidades), Sistema de Escape, entre outros, para termos 6 categorias disponíveis, em que não se compra peças, mas sim cartas, cartas de melhoramento com vários níveis diferentes, cartas essas que se ganham ao calhas e às cegas no fim de cada corrida, em que podemos escolher 1 de 3, ou adquirir as mesmas em lojas de tune up dentro do jogo, em que a seleção das que estão disponíveis muda a cada X minutos e que custam balúrdios quase em termos de créditos, e ainda por loot crates, pois…estão agora a ver o meu problema com isto, portanto e partindo do ponto deste sistema e da imagem da EA neste tópico, a realidade é que a progressão no jogo é demorada por um único motivo, não é o nível de desafio dos nossos oponentes (que pode ser ajustada com a dificuldade até), não é as missões relacionadas com ações de plot fora do contexto de corridas, é sim o facto de que evoluir os nossos veículos é uma tarefa de dificuldade acrescida e quase enviada para o acaso, pois estamos dependentes do que nos sai em forma de carta no fim de cada corrida, e ainda dependentes de entrar numa tune up shop e a mão de cartas presentes não ser uma rodada de N delas inúteis para a progressão do nosso veículo no seu estado atual, a ideia da EA foi sem dúvida querer que a Ghost Games implementasse um sistema de cartas tal como o BF tem em Star Cards, algo que mesmo tendo o contexto de casinos e jogos de fortuna e azar ao estilo de Vegas na sua plot aqui, não faz qualquer sentido terem removido o habitual e lógico sistema de progressão por desbloqueio de novas peças e compra das mesmas, bem como o conseguir boas cartas para melhorar os nosso veículos ser realmente um jogo de fortuna ou azar, mais virado para o azar a não ser que queiram despender de dinheiro real.

Não faço qualquer tenção de terminar este jogo, por muito bom que o mundo do mesmo seja e engraçado de se vaguear, os pequenos ou grandes problemas na jogabilidade nomeadamente o controlo de carros off road em ambientes dos mesmos, que é muito mau mesmo, o sistema de progressão com vista em monetização real aos preguiçosos e que têm falta de habilidade, e ainda ao desgaste da vontade em progredir dos restantes pois torna-se uma tarefa aborrecida e com demasiados contras aos mesmos, e ainda o facto de ser hilariante o nem haver 1 carro da policia a vaguear o mundo do jogo, ou seja perseguições fora de certos eventos de plot e afins não existem, o que é estúpido para caraças nesta altura do campeonato, e o em praticamente nada apresentar algo de novo ou conjugado de forma interessante e relevante aparte da Plot que sofre pelo terrível sistema de progressão ganancioso, este jogo é para mim o pior NFS da franquia que joguei até hoje, e tenho jogado todos os que saíram na PlayStation desde o Porsche Unleashed da PS!, até o de telemóvel de há meia dúzia de anos e o Nitro na DS joguei, mas este ganha a taça do pior, graças à ganancia de uma empresa por isso estão de parabéns sem dúvida, conseguiram criar aquele que poderia ser o melhor NFS dos últimos tempos mas que vem derradeiramente abaixo devido à ganância da empresa, só tenho pena em parte é que no meio disto estes estúdios costumam ser subsidiárias da EA, a GG não sei mas a DICE no caso do BFII é pelo que me lembro, e muitas vezes desastres destes ditam o fim dos mesmos, não por culpa dos devs mas por culpa destas mecânicas que os obrigam a implementar, embora por vezes haja mesmo devs que o fazem e sugerem, os outros que não o fazem sofrem na mesma, porque é sempre o nome do estúdio que fica em causa apesar de não terem culpa, e a DICE que é das melhores em experiências significativas de FPS’s levou um grande golpe  em reputação, e a realidade é que a EA prevalece no final o estúdio poderá não ter tanta sorte, ainda mais quando a editora nunca vai de certeza admitir os seus error e as suas falhas, vamos ver como isto corre para a Ghost Games.

Conclusão – Não tenho muito mais a dizer, só tenho pena do que a EA anda a fazer aos seus jogos com manobras de ganância em monetização dentro dos mesmos a força por loot boxes, é que temos jogos como o Middle-earth: Shadow of War que têm também monetização da mesma maneira, mas que ao contrário da EA a Warner Bros. escolheu outra rota, uma em que a progressão no SoW é normal, e como o jogo pretende realmente, sendo as loot boxes e o que as mesmas trazem completamente irrelevante e sem impacto real na experiência, mesmo que seja desnecessário ter esse sistema e não faça sentido, longe de mim querer concordar com a implementação do mesmo, a realidade é que a experiência base do jogo em nada foi afetada para girar em torno dos loot crates ao contrário do que se tem visto em jogos publicados pela EA.

+ Mundo de jogo com um cenário interessante e que me lembra em partes de quando jogava Forza Horizon até.

+ Plot interessante e cativante.

– Alguns problemas na jogabilidade e glitches no jogo em si.

– Sistema de progressão a girar em torno de monetização para a editora pelo uso de loot crates com micro-transações.

Nota Final – 4/10

Texto: 100porcentotuning.com